Não pretendo tratar aqui no blog sobre assuntos que não domino, mas procuro buscar fundamentações para questões que vivencio na área de TI, e isso envolve estudar diversos assuntos correlatos (ainda que minimamente). Constantemente, tenho a oportunidade de estudar novas tecnologias e muitas vezes me vejo numa posição crítica, onde cabe a mim a decisão pelo uso de um produto/tecnologia. Claro, na maioria das vezes essa decisão leva em consideração uma série de fatores que extrapolam requisitos técnicos.

Felizmente, podemos aperfeiçoar a maneira como reagimos a novas tecnologias, adotando-as no tempo correto para cada situação. Claro, não existe uma fórmula mágica, a experiência é importante, mas como mencionei, é possível melhorar nosso senso crítico entendendo como funciona o comportamento do mercado frente às novas tecnologias.

Em seu livro “Crossing the Chasm”, Geofrrey A. Moore explora o modelo de difusão de tecnologia e seu impacto no marketing de produtos. Talvez o ponto de maior destaque seja o gráfico que representa o “Ciclo de vida de adoção de tecnologia” e a indicação de um “abismo”, que podemos observar abaixo.

Ciclo de vida de adoção de tecnologia

No gráfico é possível ver como se distribuem os grupos de clientes/usuários de um determinado produto. Geoffrey indica a existência de um abismo (chasm) entre Innovators/Early Adopters e o restante dos usuários. É justamente esse o principal ponto discutido em seu livro, pois atravessar esse abismo significa entender como funciona a dinâmica do ciclo de vida de adoção de uma tecnologia (ou produto). O gráfico que representa o ciclo de adoção de tecnologia foi descrito pela primeira vez por Joe M. Bohlen, George M. Beal e Everett m. Rogers.

Entendendo os grupos de usuários

Os chamados Innovators (inovadores e entusiastas da tecnologia) são as primeiras pessoas a adotarem uma inovação. Por estarem dispostos a assumir riscos elevados, eles em geral não possuem muito a perder ou já possuem uma cultura orientada ao risco. Indivíduos desse grupo são pioneiros de fato.

Já os Early-Adopters (adeptos iniciais e visionários) são usuários que rapidamente adotam novas tecnologias, baseado no impulso inicial dos inovadores. Em geral esse grupo é composto por indivíduos mais jovens, que se despontam como líderes e formadores de opinião. Os early-adopters são responsáveis por fundamentar o mindset que será absorvido pelo grupo seguinte: os Early-Majority.

A grande maioria, é formada por Early-Majority (maioria inicial e pragmáticos): usuários/clientes mais conservadores que entendem a importância da tecnologia, mas precisam da influência dos early-adopters. A partir do momento que enxergam que a tecnologia foi consolidada, indivíduos pertencentes a esse grupo adotarão essa tecnologia. Esse grupo se mostra mais conservador, e não estão dispostos a assumir os mesmos riscos que os dois primeiros grupos.

Later-Majority (maioria tardia e conservadores) é um grupo constituído de indivíduos mais velhos (que em geral, não gostam de tecnologia), e por essa razão só adotam quando há considerável insistência por parte do mercado.

Por último, temos o grupo dos Laggards (retardatários e céticos), indivíduos extremamente conservadores e com menos instrução. Esses, por sua vez, só adotam uma tecnologia quando não existe mais outras opções.

Como pessoas de TI que somos, vamos nos concentrar nos três primeiros grupos.

Do que eu preciso?

O modelo descrito acima faz sentido para mim, e pra você? É importante termos um parâmetro de classificação dos tipos de usuário, porque, antes de saber como assimilar novas tecnologias, temos que nos posicionar dentro de um dos grupos. Feito isso, você deve analisar em qual tipo de contexto você se encontra. Talvez você seja um inovador ou early-adopter, mas provavelmente você estará no grupo dos early-majority. E isso não é demérito, é importante saber!

Muitas vezes, pessoas tidas como early-adopters fazem uso prematuro de novas tecnologias por uma questão pessoal, em muitos casos por vaidade. Claro, não é uma generalização, mas é fácil é frequente notar isso. E não é difícil identificar esse tipo de pessoa, bastando observar, por exemplo, coisas como:

  • A nova tecnologia é explicada pelo early-adopter de forma passional, imbuída de parcialidade;
  • Percebe-se que a tecnologia não foi completamente absorvida ou que a pessoa não é capaz de expressar com profundidade seus argumentos;
  • A nova tecnologia é empurrada como uma solução melhor a outras já existentes;
  • Falta uma visão holística sobre a tecnologia e as implicações em sua utilização;

O importante é saber buscar as informações das fontes certas, e manter um elevado senso crítico em tudo que ouvimos, lemos e vemos. Se você consultar cinco CIOs de TI questionando-os sobre inovação (“uma ideia, prática ou objeto que é percebido como novo por um indivíduo ou outra unidade de adoção”, como disse Everett Rogers), certamente todos dirão que ela é importante e necessária. Mas todos também mencionarão que os riscos devem ser minimizados (por exemplo, com aplicação de PoCs, pilotos ou sob consulta de especialistas). De certa forma, observa-se um antagonismo: “Preciso ser um inovador, mas com moderação”, e isso faz parte do perfil de um CIO. No final das contas, a inovação será importante se ela trouxer valor real para um produto/serviço. Esse deve ser o objetivo maior para adoção de novas tecnologias, sob o ponto de vista do mercado.

Percebemos então que a adoção de novas tecnologias sem que hajam critérios coerentes tende a ser algo perigoso, e pior, isso pode ser compreendido somente quando for tarde demais. Reflita sobre esse assunto, e caso queira contribuir, deixe suas opiniões.